Minha opinião sobre o SPFW

26 de março de 2013

Semana passada foi edição de verão 2013/14 da São Paulo Fashion Week, creio que todo mundo deve ter visto alguma nota em algum jornal por aí. Admito que essa foi a temporada que eu menos me interessei, mas mesmo assim resolvi acompanhar para poder ter certeza do que eu já vinha percebendo há algum tempo.
Sobre a mudança de datas
Ano passado as datas da semana de moda mudaram, a edição de verão passou de junho para março e a de inverno de janeiro para outubro. A princípio previa-se que seria melhor para os estilistas/marcas, já que eles teriam mais tempo para trabalhar as coleções, produzi-las e entregá-las, além de serem datas próximas às das semanas internacionais. Porém o que se viu até agora foi o oposto. Grandes marcas deixaram de participar dessa edição, como por exemplo Reinaldo Lourenço e Glória Coelho. É inegável a importância dessas marcas para a construção do evento como um todo, e a falta delas foi extremamente sentida. Arrisco a dizer que foi uma das temporadas mais fracas da história do evento, em termos de moda.

Glória Coelho Inverno 2013

Sobre o que foi visto nas passarelas
Houveram desfiles muito interessantes, como por exemplo o da Osklen e o do Alexandre Herchcovitch, mas de um modo geral acho que faltou um pouco mais de foco, sabe? Muitas marcas apresentaram coleções muito fortes em conceito e muito fracas em interpretação/execução. Foi muito doloroso pra mim, por exemplo, ver marcas que eu amo, tipo a Animale e a Amapô, com modelagens que não favoreciam em nada as modelos, além da falta de coesão da coleção (especialmente na Amapô). No final das contas, o que estava fora das passarelas acabou se tornando muito mais interessante do que o havia nelas. Os blogs de streetstyle pira!
Helena Bordon por Lee Oliveira

Sobre o futuro
Creio que os designers brasileiros estão sem rumo. Com marcas internacionais chegando ao Brasil praticamente todo dia e com preços extremamente competitivos (uma peça da Lanvin em um showroom, por exemplo, custa quase o mesmo preço de uma de um estilista nacional), além da qualidade técnica muitas vezes bastante superior, é difícil para os estilistas brasileiros competirem. Uma mudança importante seria mudar o foco dos produtos: ao invés de produzirem peças que só funcionam na passarela e/ou em editoriais, começarem a investir em roupas comerciais, com qualidade e informação de Moda. O grande público anda cada vez mais interessado nessa área, então seria ótimo pras marcas apresentarem coleções mais “palatáveis” para esses consumidores. Pra moda brasileira ser tornar tão forte quanto a internacional ela precisa fazer sentido dentro e fora da passarela, tanto pra editora de moda quando pro consumidor final.

Lanvin Verão 2013 – Moda que faz sentido na vida real

By Ianarã Bernardino

Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, Blogger & DJ Morbid Glamour.

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