O Mórbido e a Moda – Parte I

Escrevi esse artigo em janeiro, e desde então ficou esquecido dentre os meus arquivos. Ontem, limpando o computador, encontrei-o e resolvi postá-lo pra vocês. Por ser muito grande, vou dividi-lo em duas partes, e postarei a segunda parte na próxima semana. Espero que vocês gostem! =)

Mórbido
1. adj. Medicina. Relativo a ou que demonstra quaisquer tipos de doenças; enfermidade.
2. Medicina. Que é prejudicial à saúde; que provoca doenças.
3. Ocasionado por ou que evidencia transtornos psíquicos; que contém determinada anormalidade; doentio. 

4. Sem energia ou força; frouxo: aspecto mórbido.
5. Em que há devassidão ou perversão: interesse mórbido.
6. Que se apresenta de modo triste: pessoa mórbida; livro mórbido.
7. Artes Plásticas. Diz-se da obra artística que possui certa textura demonstrada de maneira suave.
(Etm. do latim: morbidus.a.um)
(Fonte: Dicionário Online de Português)

Luto e rebeldia: do preto ao punk.
Releia os significados da palavra ‘mórbido’ e me diga: há outro adjetivo que case tão bem com a moda? Não é de hoje que o ser humano flerta com a morbidez, com o obscuro. Desde a Idade Média somos seduzidos pelas trevas. O rei espanhol Felipe II (1556-1598) popularizou o uso preto, a cor da dor e do luto, dando novo significado a ele: riqueza e conhecimento. Porém, depois do Renascimento, da Revolta Protestante e de Isaac Newton (aquele que disse que o preto é uma “não cor”), foi destinado ao esquecimento até o início do séc. XX. Mais precisamente em 1926 que ela, Coco Chanel, vestiu-se com aquele que viria a ser uma de suas maiores criações: vestido de corte simples, sem muitos detalhes, até os joelhos e sim – preto. “Uma mulher precisa de apenas duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame” disse Chanel, e o escândalo foi imediato. O sucesso também. De Audrey Hepburn e seu Givenchy inconfundível aos punks e góticos dos anos 70 e 80, a cor/não-cor é usada como símbolo de glamour e elegância, irreverência e rebeldia.

Em sentido horário: Rei Felipe II da Espanha, Coco Chanel costurando, Marlene Dietrich vestindo Dior, Audrey Hepburn de Givenchy em Bonequinha de Luxo.

Falando na cultura punk, foi no final da década de 70 que eles começaram a subverter vários símbolos religiosos e políticos para criar uma aparência agressiva. Dentre eles, as caveiras, os coturnos e crucifixos ganham certo destaque, além de spikes, tachas e correntes. E foi sob a tutela da ruivíssima Vivienne Westwood e sua loja-referência do visual punk rockSex” que o visual saiu das ruas e foi para as passarelas. Aliás, quem não se lembra da Madonna, com seus cabelos platinados, vestida de noiva e com vários crucifixos no pescoço, cantando Like A Virgin, em 1984? Aliás, foi na década de 80 que o mórbido ganhou sua glamorização definitiva no mundo da moda.

Em sentido horário: punks ingleses dos anos 80, Vivienne Westwood, Madonna Sex Pistols


Fotos: Reprodução
Post Author
Ianarã Bernardino
Diretor Criativo, Stylist & Designer. Às vezes ataco de DJ, escrevo bastante e cozinho muito bem. :)

Comments 2

  1. Paulo Anjos
    maio 29, 2013 Reply

    Muito bom! <3 Eu amo histórias da moda. Post incrível, ansioso pela parte 2!

  2. Juh Prol
    jun 25, 2013 Reply

    Ameiiii! *-*

    Me chamou atenção o tweet, quer ler a próxima parte!!

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