O Palhaço na Cidade dos Clones

8 de maio de 2014

Eu não sou de me importar muito com certos comentários. Aprendi desde cedo a ouvir o que me é útil e descartar instantaneamente o que não me acrescenta. Em relação ao meu modo de vestir mais ainda. Me visto do jeito que eu quero, na hora que eu quero e pronto. Consigo ser muito mais confiante em relação ao que visto do que, por exemplo, ao que escrevo. Se eu quiser usar sapatos de couro para ir comprar pão eu vou, se quiser ir para um festa de terno e bermuda também vou. Quebrar códigos, ousar e inspirar, é isso que me move ao me vestir. Mas um comentário que ouvi semana passada me fez parar para pensar. Ouvi de uma pessoa que eu gosto muito que eu parecia “um palhaço com um cristal pendurado no pescoço”. Ouch.

O palhaço e o cristal pendurado no pescoço

Eu ouço muito desde que vim morar em Natal que as pessoas se vestem iguais, que ninguém ousa, que parece um desfile de clones. Ok, isso é inegável, quase oito anos morando aqui me fizeram ter certeza disso. Porém percebo também que, na grande maioria das vezes, a pessoa que reclama está sempre encaixadinha em um dos grupos de clone da cidade e, o pior, não faz absolutamente nada para tentar mudar algo. É tipo aquele ativismo de hashtag, que é fácil falar e tirar fotinho para colocar nas redes sociais, mas um tanto complicado de sair da zona de conforto e fazer algo efetivo para mudar o mundo. Literalmente o sujo que fala do mal-lavado.

Carolyn Murphy e seus clones na capa da Vogue Itália de setembro de 2012

 

Não quero ser mais um pseudo-inconformado que só sabe reclamar dos clones e não faz nada a respeito. Também não quero me conformar e ser mais um na multidão. Não posso fazer uma revolução da noite para o dia, por isso faço o que eu posso: tento ser a mosca na sopa dessa cidade. Incomodo, provoco, chamo atenção. Talvez uma pessoa que tem medo ou vergonha de fazer determinadas escolhas ou usar determinadas peças me veja usando e pense “eu também posso!”. Nem que seja uma só pessoa, já valeu a pena. É de um em um que as mudanças começam a acontecer. Hoje todos riem do palhaço, o que é normal, mas aos poucos as coisas vão mudar. Não dizem que quem ri por último ri melhor?

Fotos: Reprodução

By Ianarã Bernardino

Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, Blogger & DJ Morbid Glamour.

1 Comment

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    Desabafo, diversidade e quem inventou o sapatênis? – O Novo Preto

    […] pras modas, na prática ainda somos (e buscamos ser) aquele exército de clones que eu falei nesse outro post. Divididos em algumas categorias, mas ainda sim clones. Seja o playboy da polo com sua loira do […]

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