Das cartas que eu nunca te escrevi

Desde que fechei o meu blog anterior e iniciei esse tenho alguns desses trechos escritos nos rascunhos. Se não me engano esse teria sido o primeiro post d’O Novo Preto. Porém nunca havia conseguido terminar essa carta. Um ano e alguns meses depois, quando o pessoal do Rotaroots sugeriu que escrevêssemos uma carta que sempre tivemos vontade mas nunca tínhamos feito, resolvi que já era mais do que hora de “enviá-la”. Não citarei o destinatário, mas qualquer pessoa que acompanha meus textos há algum tempo vai saber para quem é.

Minha eterna amada, 
Lembro exatamente como te conheci: abri aquela revista de páginas brilhantes e te vi em toda sua exuberância. Cada fotografia, cada texto, cada detalhe te exaltavam em seu estado mais puro. Naquele momento decidi que era isso, que era você que eu queria para o resto da minha vida.
Durante anos flertamos em bancas de revistas, em shoppings, na internet… Até que enfim pude mergulhar por completo em você. Tivemos um caso de amor incrível, devorava tudo que podia a seu respeito, queria conhecer cada faceta e detalhe seu. Cada descoberta me gerava mais entusiasmo e mais interesse, chegando a me deixar completamente imerso em seu universo. Queria viver de você, me afogar e amá-la eternamente. Eu era seu fiel seguidor e você era meu refúgio.
Não sei o que houve, talvez eu tenha mudado muito ultimamente, talvez seja você, mas mesmo te amando não consigo mais me encantar. Antes eu via brilho nos seus olhos, entusiasmo nas suas criações, hoje não vejo mais nada disso. Só sabe falar de vendas, números, anda cada vez mais estressada, correndo contra o tempo, pensando em um futuro que ainda não existe e obcecada pelo que passou. Poucas vezes vejo aquele lampejo de criatividade e ousadia que fez eu me apaixonar perdidamente. Você deixou de ser aquela louquinha contestadora e está se tornando cada vez mais uma operária sem graça e padronizada. 
Não te abandonarei completamente, você é uma parte importante da minha vida. Porém, preciso de um tempo. Um tempo só meu, sem ficar obcecado com o que você anda fazendo. Nesse momento preciso me concentrar em mim. A distância pode ser uma ótima forma de reavaliarmos a loucura que foram esses últimos anos. Talvez, quando eu estiver mais livre das minhas obrigações acadêmicas possamos retomar o que um dia foi uma relação de cumplicidade, criatividade e inspiração. Não se esqueça de mim, assim como não me esquecerei de você. Envie-me notícias, apreciarei bastante. 
Sempre seu,
Ianarã Bernardino.
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Ianarã Bernardino
Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, & Designer.

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