Porque a moda masculina no Brasil (ainda) não me representa

Comprar roupa é sempre um drama pra mim. Preciso andar muito para achar peças que eu gosto a um preço bacana, e sempre acabo ficando com os olhos brilhando por alguma peça/estampa/detalhe da seção feminina. Inclusive a grande maioria das minhas bolsas e acessórios é desse departamento. Sempre acho o produto disponível para o público masculino sempre mais do mesmo, sem grandes ousadias ou novidades de estação pra estação. 
Fato é que a moda masculina no Brasil é careta. Ponto. Mesmo que se encontre um toque de cor mais moderno aqui, uma estampa mais animadinha ali, a moda para os homens no Brasil é mega conservadora, lançando sempre mais do mesmo de estação em estação. Muitas vezes só sei que mudou de estação pela campanha publicitária da loja, porque a roupa não muda em absolutamente nada. Parece que as marcas/criadores de moda criam para vários tipos de mulher, mas as poucas que investem no público masculino pensam apenas no homem padrão, que usa terno e gravata no trabalho e bermudão, tênis/mocassim e camisa pólo/camiseta básica nos momentos de lazer. 

E não é falta de interesse dos homens pelo assunto, já que a moda masculina está crescendo e ganhando cada vez mais foco, contando com novas semanas de moda exclusivas do segmento, jornais importantes fazendo cadernos exclusivos sobre o assunto e o recorde de participação de marcas na Pitti Uomo, feira que está se tornando referência mundial nessa área. Inclusive esse crescimento já é sentido no Brasil, como mostra essa matéria da Veja feita no ano passado.
Talvez um dos principais pontos que ainda faça a moda masculina brasileira não me conquistar é o machismo exacerbado. Enquanto na gringa a polarização entre masculino e feminino está ficando cada vez mais fluida, com modelos masculinos desfilando em marcas femininas, lojas investindo no comercialização de roupas unissex, e até mesmo estilistas propondo novas modelagens para os homens (como não lembrar do kilt proposto por Givenchy em 2011?), o brasileiro ainda não aprendeu que roupa não define sexualidade e morre de pavor de parecer minimamente feminino. Lembro que não faz nem 10 anos que o rosa deixou de ser “cor de menina” e passou a fazer parte do armário masculino.

Falta ousadia, falta se libertar de velhos paradigmas, falta (real) novidade. Quem sabe se o homem brasileiro tivesse oportunidade de experimentar elementos novos na hora de se vestir nós não estivéssemos mais próximos de acabar com preconceitos bestas e se divertir mais com a moda? Enquanto isso não acontece continuo na minha luta em busca de peças que eu possa combinar do meu jeito, muitas vezes customizando ou reformando. Quando não há salvação, apelo para as costureiras ou para os sites gringos (obrigado por existir Asos ♥). Espero que um dia eu possa me orgulhar da moda masculina feita no Brasil em sua totalidade, e não apenas de umas duas ou três marcas que são incríveis na passarela mas na loja são o mais do mesmo de sempre…

A little style never killed nobody ♥ (mais aqui)

Fotos: Reprodução | STREETFSN

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Ianarã Bernardino
Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, & Designer.

Comments 1

  1. Amazonas por Ianarã Bernardino – O Novo Preto
    fev 22, 2016 Reply

    […] unissex, mas foquei no público masculino por um simples motivo: moda masculina atualmente não me representa, então queria fazer algo que me agradasse e agradasse ao meu cliente. Além disso, esse é um dos […]

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