Gênero: Humano

16 de março de 2015

Alguém lembra que citei nesse post a loja na gringa investindo em roupas sem gênero? Pois bem. A loja em questão é a Selfridges, uma das maiores lojas de departamento do mundo, localizada na Oxford Street em Londres e uma das marcas mais respeitadas da moda.

Em parceria com a designer Faye Toogood, a megaloja disponibiliza três andares (e o site da marca) para uma experiência de compra diferente da que estamos acostumados: coleções unissex. O projeto, nomeado Agender (sem gênero, em tradução livre) teve início no dia 12 de março e fica disponível até o final de abril. Para comemorar essa ação, eles lançaram o clipe da música He, She, Me, faixa de Devonté Hynes e Neneh Cherry, com participação da Hari Nef ♥ coreografada por Ryan Heffington (responsável pelo incrível Chandelier, da Sia).

A Selfridges tem é bastante influente no mundinho das modas e a mensagem passada com esse projeto vai muito além desse universo fashion. Há bastante tempo a moda começou a falar sobre androginia e fluidez de gênero, ou quem não lembra do Andrej Pejic, que desfilava roupas masculina e femininas e chegou a desfilar no Brasil, ficando conhecidíssimo como ícone da androginia das passarelas? Agora ela assina como Andreja Pejic e, em 2014, passou pela cirurgia de redesignação sexual, tornando-se uma mulher transexual.  Agora, essa fluidez entre masculino e feminino sai do desfile e chega na roupa, que não precisa mais designar um gênero específico, e sim relacionar-se com a forma como nos vemos. No futuro (espero eu que próximo), independente do departamento que a peça esteja, a pergunta principal será: “essa roupa representa quem eu sou?“.

E quando eu pensava que iria demorar, me vem a Clean&Clear cantando o famoso jingleo futuro já começou…“, hahaha. A marca de produtos de beleza escolheu a adolescente americana Jazz Jennings, de 14 anos, como um dos rostos da campanha See the Real Me (veja o verdadeiro eu, em tradução livre). E o que isso representa? Aos dois anos ela foi diagnosticada com disforia de gênero, ou seja, nasceu menino mas se identifica com o gênero feminino, tornando-a a primeira porta-voz transgênera de uma marca de grande porte do mundo.
No vídeo da campanha ela conta um pouco como foi difícil crescer sendo única dentro do contexto em que vivia. “No colégio, meus colegas se cumprimentavam com abraços e eu só recebia um ‘oi’. Eu até já fui chamada de ‘aquilo’“, diz. No entanto, ela não desanimou e hoje, além de ter amigas para brincar e um sorriso contagiante ♥, com o apoio da família, lançou um livro infantil contando sua história, irá estrelar uma série documental de 11 episódios e arrecada fundos para a juventude transgênero vendendo caudas de sereia de silicone para crianças. 

Espero que, com todos esse avanços, consigamos aos poucos respeitar e conviver com as diferenças, indiferente de gênero, cor, raça, credo, orientação sexual ou qualquer outro rótulo que adoramos usar, esquecendo sempre do maior rótulo e que nos faz todos iguais: somos todos humanos.    

Fontes: Vogue e TrendCoffee
Imagem: Reprodução

By Ianarã Bernardino

Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, Blogger & DJ Morbid Glamour.

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