Realidades de um Jovem de 20 e Poucos Anos

Você nasceu em uma família que pôde te dar um estilo de vida razoável, sem passar grandes necessidades. Estudou em colégios bons a vida inteira, sempre ouvindo que os estudos é que iriam garantir o seu futuro. Passou no vestibular, “seu futuro está garantido!” foi o que te disseram. “Você pode fazer o que quiser na vida, basta estudar”. Ai você não escolheu seguir carreira em engenharia, direito ou medicina (ou áreas relacionadas), resolveu que queria algo ~ diferentão ~, algo como design, música, publicidade, artes visuais e afins. Chegou a formatura e automaticamente você, no alto dos seus 20 e poucos anos, foi de universitário à um jovem desempregado. Familiar? Se não passou por isso, certeza que alguém que você conhece passou. Se não conhece, conheceu agora.

A vida matou os sonhos que eu sonhei :~

Quando alguém me pergunta: “E ai, fazendo o quê da vida?” não sei exatamente o que responder. No momento eu faço styling, produção de moda, direção criativa, freelas de design gráfico e ataco de DJ como Morbid Glamour. E mesmo assim me sinto um fracasso. Sim, porque se você me perguntar com qual dessas funções eu consigo me sustentar te respondo com toda sinceridade: nenhuma. No máximo rola uma grana pra comprar ração pros gatos e não morrer de fome até o próximo job aparecer (e der a sorte de ser pago, claro). E mesmo assim continuo insistindo em todas essas funções.

E por que eu escrevi tudo isso? Te digo agora: sou heavy user de redes sociais e de uns tempos pra cá percebi que tudo isso me fazia mal. Passava horas stalkeando vidas alheias perfeitas e comparando com a minha. Enquanto eu vivia essa porcaria, aquele jovem da mesma idade que eu publicava aquela foto incrível da #vacation em Nova Iorque. Mesmo sabendo que talvez a viagem nem tenha sido tão incrível assim, a festa nem tenha bombado tanto, eu também queria viver aquilo. Tenho plena consciência que aquela imagem ou texto é apenas um recorte super calculado pra vender uma ideia que muitas vezes não condiz com a realidade. Mas eu sempre ficava numa puta bad.

Tô na bad, tô muito na bad :~

Num desses bad moments que me questionei: será que a culpa é minha pelo meu fracasso? A sociedade nos cobra que sejamos jovens bem sucedidos, que trabalhemos muito para ter um estilo de vida digno de um feed incrível no Instagram. Sempre nos disseram que podíamos ser o que quiséssemos, bastava estudar e ser “alguém na vida” (nunca entendi essa expressão). Ao mesmo tempo, as oportunidades de emprego pra nós, que não temos anos de experiência na nossa área, são muito raras. Até estágio hoje em dia requer experiência, acredita? Sem mencionar o fato dos trabalhos que são “oportunidades de você mostrar o que sabe”, “vão te dar muita visibilidade” mas no fim é só você trabalhando de graça pra alguém ou alguma empresa sem retorno nenhum.

Mesmo os empregos que não são da minha área de formação e que não exigem tantos pré-requisitos não dão vez. Vou contar um caso recente: deixei currículos em 16 lojas aqui em Natal pra ser vendedor. Adivinha quantos retornos eu tive? Sim, uma grande quantidade de zero. Nenhuma resposta de nenhum desses lugares. E sabe o que é o pior? Ir em uma dessas lojas alguns dias depois e ver novos contratados. Dá até um desgostinho de tentar correr atrás de qualquer coisa, sabe? A vontade que dá é passar o dia na internet vendo vídeos no Youtube ou séries no Netflix.

Esse laptop é a única coisa que me mantém sã

Então meu jovem e minha jovem, a culpa não é sua, a culpa não é minha. Se você ainda não alcançou o mesmo sucesso que a filha da sua vizinha (aquela que sua mãe sempre esfrega na sua cara) ou do blogger que tem a mesma idade que a sua, fica calmo. Não entre em pânico. Não fique paranoico achando que o mundo te odeia. Não compare sua vida com a dos seus coleguinhas. Oportunidades chegam na hora que tem que chegar e cada um tem um caminho único. Eu não posso querer que as coisas aconteçam pra mim do mesmo modo que aconteceram pra Tavi Gevinson, por exemplo (mas bem que eu queria, viu).

Foi um processo mega doloroso até eu conseguir chegar a todas essas conclusões. Acho que estamos todos em processos de autoconhecimento sempre, e isso é bom. Por isso compartilhei esse meu processo aqui com vocês, saca? Porque se você estiver em situação semelhante não vai se sentir tão abandonado como eu me senti. E não pensem que eu vou desistir das modas, assim como você não deve desistir do que escolheu seguir. Se é isso que te faz feliz, que faz seus olhos brilharem, desistir não é uma opção. Basta continuar tentando que na hora certa as coisas se encaixam e todos nós chegaremos lá (onde quer que seja esse “lá”). Sem neuras, sem dramas, sem pânico. Como brilhantemente encerra R.J. Hérnandez, autor de An Innocent Fashion, nessa matéria da Vanity Fair:

A maioria da minha geração entra no mercado de trabalho com uma mentalidade de “fama fácil” – graças a plataformas como reality shows e blogs pessoais – apenas para perceber rapidamente que não estamos todos destinados a ser estrelas. Eu acho que requer muito trabalho duro e amadurecimento para perceber que isso é ok.”

Eu só quero ser feliz, okay?

Fotos e Gifs: Reprodução

Post Author
Ianarã Bernardino
Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, & Designer.

Comments 1

  1. Links da Semana #44 | Chat Feminino
    ago 5, 2016 Reply

    […] – Texto sensacional sobre ter 20 e poucos anos e muitos questionamentos. […]

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