Sustentabilidade e Moda Sustentável: Por quê?

Aconteceu em São Paulo entre 23 e 25/10 o Iguatemi Talks Fashion. A conferência abordou temas como Social Fashion, Empoderamento da Mulher, Genderless e Design na Era do Social Media. Minha amiga Fabíola Franco foi até no painel que tratava sobre Moda Sustentável e escreveu sobre o tema. Obrigado Fabs! ♥

OLAR ♥

Estive pela manhã [do dia 24/10] num painel sobre Sustentabilidade no JK Iguatemi apresentado pela Lilian Pacce. O evento teve mediação da Chiara Gadaleta (Projeto Eco Era), e participação do André Carvalhal (ex-Farm, atual “cabeça” por trás do conceito da AHLMA) e do Rony Meisler, CEO da Reserva. Compartilho abaixo minhas anotações sobre o que foi dito e questões levantadas durante o evento (o texto ficou longo mas o assunto é importante – e urgente):

Foram levantados temas dentro da Sustentabilidade que nem sempre são explorados. Para além dos impactos no meio ambiente, a cadeia têxtil também tem grandes impactos sociais, algo comumente deixado de lado. Impactos ambientais incluem a produção de CO², desmatamento, o uso desenfreado de agrotóxicos e o principal e menos levado em consideração: o descarte.

VOCÊ SABIA QUE MAIS DE 64% DOS TECIDOS PRODUZIDOS NO MUNDO VÃO PARAR EM ATERROS SANITÁRIOS? Além de não existir “LIXO” (sério, já pararam pra pensar onde fica o “lixo” da Terra? Pois é, não existe essa coisa de lixo…), os aterros sanitários comprovadamente poluem os lençóis freáticos, de onde é retirada uma parte considerável de água (potável, em teoria) para consumo através de poços artesianos. Precisamos encontrar uma saída para o descarte da indústria têxtil. É UMA QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA.

Sobre impactos sociais, é preciso levar um mínimo de dignidade aos trabalhadores de toda a cadeia. Os consumidores passaram a se preocupar com questões éticas referentes à cadeia, e principalmente depois do lançamento do documentário The True Cost (disponível na Netflix), cada vez mais pessoas se importam com questões socioambientais como um todo, incluindo questões referentes ao bem-estar de cada funcionário envolvido na produção das peças. Casos de trabalho escravo são um tipo de marketing negativo pesadíssimo, ao passo que geração de emprego e incentivo à educação são vistos como pontos que contam a favor das marcas.

Dentro ainda desse tema foram compartilhados dados estarrecedores sobre a situação atual dos brasileiros: VOCÊ SABIA QUE MAIS 50 MILHÕES DE BRASILEIROS ACORDAM TODOS OS DIAS SEM SABER SE TERÃO UMA REFEIÇÃO? E QUE DESSE MONTANTE, CERCA DE 7 MILHÕES REALMENTE TERMINAM O DIA SEM COMER? Por outro lado, situações vistas como negativas podem – e devem – servir de incentivo para boas práticas: depois das denúncias feitas no documentário The True Cost a H&M começou com um projeto e hoje é uma referência em ética e transparência entre as marcas de fast-fashion.

Os clientes dão cada dia mais valor para a TRANSPARÊNCIA das empresas.

“O DINHEIRO É O NOVO VOTO”: as pessoas tem o poder de escolha sobre em que investirão sua verba. Precisamos focar em meios de produzir produtos com maior durabilidade, e com o máximo de ética possível. O futuro está aqui.

“Ainda não estamos dando nosso melhor, mas estamos caminhando para isso”: as pessoas valorizam a transparência. É ok não ter tudo em dia, é ok não trabalhar com uma cadeia 100% sustentável. Sabemos que os custos ainda são muito altos, especialmente para produtores de larga escala, de quem se esperam preços menores, mas as pessoas precisam saber que estamos sempre buscando evoluir nesse sentido (e claro, isso precisa ser verdade).

Tendo em vista as questões socioeconômicas e ambientais levantadas, a ECO ERA tem um prêmio para incentivar empresas a melhorarem e apresentarem essas questões.

Sobre o Eco Era

A AHLMA, por sua vez, tem o custo aberto dos produtos disponível no site, mostrando que paga seus funcionários de forma adequada, que está em dia com os impostos, e além disso, utiliza 100% de matéria prima reciclada. Tecidos de qualidade parados em estoque se transformam em peças quase exclusivas e atemporais. A marca também não utiliza nenhum tipo de couro, nem mesmo sintético, tanto para não fomentar a exploração animal (seus produtos são 100% veganos) quanto pensando no meio ambiente (o nosso velho conhecido PU, o Poliuretano, é praticamente impossível de reciclar).

Sobre a AHLMA

A Reserva, há algum tempo, segue com um projeto chamado internamente de 1P=5P, onde para cada camiseta vendida 5 pratos de comida são doados para pessoas necessitadas. A iniciativa se deu depois do Rony conhecer alguns de seus fornecedores no norte do Ceará, e conversar com funcionários locais sobre um projeto de escola financiada pela marca, ao que o funcionário respondeu que “ninguém consegue se concentrar quando está com fome. A fome TEM QUE SER o primeiro problema ser resolvido”.

Sobre o projeto 1P=5P

Sobre jeans, especificamente, uma coisa interessante que eu já sabia mas nunca tinha visto ninguém falar sobre aqui no Brasil: Jeans não foi feito para ser lavado. A forma correta de higienizar é colocando numa sacola plástica e deixando uns dois dias dentro de um freezer. Esse processo por si só já elimina possíveis odores e mata bactérias. A natureza agradece, e as suas calças duram muito mais (além de ficarem com marcas personalizadas pelo tempo de uso no seu corpo ♥)

Texto por Fabíola Franco, estilista de jeanswear e minha BFF de longa data 

Fotos: Reprodução

Post Author
Ianarã Bernardino
Apaixonado por moda, música e tudo que é novo e interessante. Diretor Criativo, Stylist, & Designer.

Comments 1

  1. Cecília Nóbrega
    out 26, 2017 Reply

    Eu sou louca pra comprar na AHLMA, acho as peças lindas e adoro todo o contexto. É interessante que consumir de forma consciente é caro. A gente para pra pensar que quando é barato, sai muito “caro” pra alguém. Espero que essa tendência, que é necessária e urgente, se amplie cada vez mais de forma que seja mais acessível para mais pessoas. De qualquer forma, hoje eu penso: pq comprar 3 blusinhas se posso comprar 1 que vai durar mais e feita por uma empresa transparente? Vamos reduzindo o consumo e adquirindo coisas boas.

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