Uma viagem, duas reflexões

Por que é tão difícil dizer não?

No início desse mês fiz uma rápida viagem para Ilhabela (quem me acompanha pelo Instagram já viu as fotos!). Mas logo na ida aconteceu algo que me fez ficar mais reflexivo do que um espelho hahaha. E não só refleti durante a viagem, mas até agora penso sobre isso. E, como nada é por acaso, creio que seja um sinal para evolução em 2019. Como sei que ninguém evolui sozinho, resolvi compartilhar porque né, se foi útil pra mim, também será para os outros.

Fazendo a reflexiva

Sempre gosto de sentar na janela em ônibus (não me pergunte o porquê), então fiz as reservas de ida e de volta desse jeitinho. Quando entrei no busão e fui até meu lugar havia uma menina do lado do meu assento fazendo cara de coitada. Pedi licença e, antes mesmo de me acomodar, ela me pergunta se eu podia trocar de lugar com o namorado dela. Foi logo explicando que viagem dava muito enjôo nela e, caso passasse mal, queria estar ao lado do boy. Apenas olhei o lugar do menino e respondi um sonoro “Não, prefiro ficar na janela” e continuei me acomodando.

Durante uns quarenta minutos fiquei remoendo aquilo, me sentindo a pior pessoa do mundo. “Poxa, custava ter trocado?“, eu pensava. De repente ela desfez a cara de doente, levantou com o ônibus em movimento e foi até o lugar do namorado. Ela sentou no braço da cadeira dele e começou a comer e tomar um refri bem de boa, bem feliz. Quem tem enjôo em viagens sabe que as últimas coisas que você vai querer fazer são ficar em pé e comer durante o trajeto, não é mesmo? Mentalmente eu fiquei que nem a Regina George em Meninas Malvadas:

“Não posso sair. Estou doente.” | “Boo, sua vadia!”

Essa pequena história de viagem me fez tirar duas conclusões/reflexões:

A primeira foi: por que é tão difícil sermos honestos?

A menina só queria ficar do lado do boy, certo? Então qual o mistério em simplesmente pedir ao invés de inventar toda uma história? Quando partimos para um esfera mais ampla, quem nunca recebeu um convite e respondeu que tinha um compromisso quando, na verdade, só queria ir pra casa ver Netflix? Ou quando você se atrasa e diz que foi a chuva/o ônibus/o metrô e na verdade foi você mesmo que passou quinze minutos a mais se arrumando? É bem complicado dizer pra alguém que não quer ir no rolê porque simplesmente não está afim. Dependendo da pessoa pode abalar muito a relação, a ponto de ela nunca mais te convidar pra nada (como já aconteceu comigo, inclusive).

As pessoas dizem que prezam pela honestidade, mas quando você joga a verdade na cara delas não aguentam. Se sentem pessoalmente ofendidas se você disser que está exausto e que vai pra casa ao invés de ir no happy hour. Então cheguei a conclusão que: se eu quero a verdade sempre preciso oferecer isso também. Não precisa ser agressivo, grosso nem ofensivo para ser honesto. Se sua amiga te ofende gratuitamente e diz que é “muito honesta” ela está equivocadíssima hahaha. Há formas suaves e bastante claras de bater a real pras pessoas. E é isso que eu estou exercitando mais ainda nesse ano.

Preparado pro banho de verdades? hahaha
A segunda foi: por que é tão difícil dizer não? 

Mesmo eu tendo dito não, fiquei com uma culpa dos infernos. Quantas coisas nós fazemos (ou deixamos de fazer) pra não desagradar os outros? E, indo mais fundo, quem não conhece uma história de alguém que seguiu um caminho de vida pra agradar a família? Essa pessoa disse não a si mesma e, anos depois, acaba surtando e mudando de vida. Ou, em casos mais graves, cometendo suicídio para não ter que “dizer não” aos familiares (e sim pra si mesma).

Por isso que o autoconhecimento é uma ferramenta poderosíssima. Porque quem se conhece sabe bem o que agrada e o que não. Sabe até que ponto ela consegue fazer concessões para agradar os outros. E, a partir dessa descoberta, ter um relacionamento mais saudável com o mundo exterior. Sem maltratar a si mesmo e, o mais importante, sem agredir os outros. E muito menos responsabilizá-los pelas suas misérias e fracassos. Afinal, essa é uma viagem que todo mundo deveria fazer, é dji grátish (como não amar?) e super acessível: a viagem interior.

Quem vamos nessa road trip pro próprio interior?

 

Post Author
Ianarã Bernardino
Ataco de Diretor Criativo, Designer & DJ. Também ataco de astrólogo (pros amigos) e de master chef (quando tô de bom humor). :)

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