O que estamos fazendo a nós mesmos tem nome: COVARDIA

Bem, assumo que o título deste texto pode ser passível de leve sensacionalismo, ou hipérbole, e também acredito que se você é alguém ansioso, tal texto também não seja lá o melhor refúgio para seus desacelerar seus pensamentos. Porém é uma reflexão sobre como eu dei uma “acordada” recentemente, e gostaria de compartilhar, creio que há chances de você se identificar.

Rotina.

É aí onde quase tudo começa. Por mais louca e dinâmica que seja sua rotina, ela ainda é uma. E se ela for assim, creia, você é uma exceção. Lembra quando sua única preocupação era brincar e, sei lá, encontrar com os coleguinhas na escola? E quando você, de repente, pensou em ser astronauta, ou ganhar o Nobel? Ou ser dono de um Pulitzer? Ou até mesmo ser o novo Saint Laurent ou a própria Anna Wintour? Então eu te pergunto, o que houve? Muitos poderiam responder: a vida.

Eu quero ser um unicórnio!

Aproveito para alertar também que este texto é feito por um virginiano ambicioso e pretensioso. E que também não pretendo fazer apologia a meritocracia aqui. Duas palavras: sociedade brasileira. Acho que com isso entendemos porque não. Também escrevo ciente de que privilegiado somos: eu que escrevo e você que me lê. Mas, essa seria outra extensa discussão. Então, voltemos à rotina: acontece que vamos envelhecendo, construindo aos poucos e com muito esforço aquilo que chamamos de vida, ou pelo menos a nossa vida. E, conscientes de onde estamos inseridos, adotamos para nós, mesmo que involuntariamente, o medo de perder.

E está pronta a receita nociva. O medo de perder nossas pequenas conquistas, somado ao conforto de estar onde estamos, na nossa bolha, na nossa rotina. A tendência à inércia. Até então, acredito que não esteja falando sobre nenhuma novidade aqui. Sendo mais claro, estou tratando de como nossas aspirações são sublimadas pelo meio, por nós mesmos e por tudo aquilo que já construímos, uma espécie de dócil sufocamento, se é que isso é possível.

Dessa vez eu quero que você me sufoque um pouquinho
Há quem vá dizer que estou tratando sobre como nossos sonhos morrem e, me deixe ser claro, não é bem isso.

De fato, nesse contexto eles tenderão a morrer mesmo, mas o que trato aqui é ainda pior: o medo e o tesão inconsciente pela inércia nos fazem negar qualquer esforço, ou pensamento a mais para alimentarmos nossas ambições mais “inalcançáveis” – a.k.a. sonhos – e sublimar a nós mesmos, e sermos covardes sobre quem verdadeiramente gostaríamos de ser. Entramos em um estado de paralisia, e consequente inanição e monótonos, adotamos o comportamento geral.

Não nos damos a oportunidade de nós mesmos matarmos nossos sonhos pela real impossibilidade ou desistência assumida, mas sim por inanição, por ceder a uma inércia que em breve servirá como motivo e surgirá como a melhor solução. Dizer para nós mesmos que não vale a pena, muitas vezes por medo da frustração. E que realidade é essa que não nos damos o direito sequer de sentirmos as próprias frustrações e velarmos nossos sonhos? Em que esteira automática nos colocamos, ou nos colocaram para que as “coisas da vida” aconteçam de forma a ser melhor “só aceitarmos as coisas”?

rotina-da-covardia

Esse foi o cerne da minha reflexão, constatei o quão covarde eu estava sendo comigo mesmo e o quão sublimadas minhas ambições reais estavam. É a sensação de olhar para trás e pensar “nossa, eu sonhava tão alto…” e não conseguir entender o que aconteceu, e se sentir frustrado por algo que não é totalmente culpa sua. Somos induzidos a isso de várias formas e maneiras, todos os dias. Mas a realidade é que nesse mundo tudo é possível, e de tudo nós podemos tentar.

E sobre o medo de perder? Acredito que estar vivo não seja sobre apenas ter medo. E deixar que isso consuma suas oportunidades de experienciar o mundo, de construir novas coisas, de ter a liberdade de se sentir em plena potência. You’re fucking alive! Então viva! Pare de ser covarde consigo mesmo. Do que adianta estar vivo e não poder tentar?

Que se burle o sistema, que se quebre a janela, que arriscar seja permitido!

Que possamos sonhar e ao menos tentar nossos sonhos. Dispender energia, sentir o prazer de tentar. E abraçar nossas frustrações, e chorar sobre o peso delas, e SENTIR. E se fazer sentir, e se reconhecer nesse sentido, e abraçar o seu eu sonha nas derrotas e nas vitórias. Eu sei que parece arriscado, mas quando viver não o é? 😉

Foto principal: Tim Walker 
Post Author
Marcos Paulo
Designer editorial e de moda. Ama uma viagem perdida rs, adora programas inesperados e vive de questionar. Típico virginiano chato, é dócil na maioria do tempo, e tem queda por gentilezas em geral.

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